30 setembro 2012

Eu gostava de ter um amor. Um amor daqueles que nos enche o coração e nós dá milhões de motivos para sorrir. Um amor daqueles que nos enche a vida de cor e os olhos de brilho. Daqueles que nos leva a passear, nos faz surpresas, nos faz rir e ser crianças outra vez. Daqueles que tornam tudo melhor, tudo mais fácil, tudo mais leve.
Eu gostava de ter um amor. Não precisava que o meu amor me escrevesse aquelas cartas que deixam as raparigas a suspirar, nem que fosse músico e composesse uma canção só para mim. Não precisava de espalhar pelo mundo que tinha um amor, não precisava de fazer dele um prémio. Não precisava de me sentir num filme.
Eu gostava de ter um amor. Um amor secreto, só meu. Um amor que pudesse saber tudo de mim, que tivesse a paciência de me ouvir, de me fazer rir e de rir comigo. Um amor com o qual eu pudesse ser eu. Um amor que não se importasse de se sujar a brincar como uma criança na relva, um amor que não se importasse de comer com as mãos, um amor que adorasse doces como eu.
Eu gostava de ter um amor. Um amor que ficasse comigo deitado a olhar para o céu, sem falar. Um amor que não precisasse de palavras. Um amor de quem recebemos uma mensagem de bom dia e um beijo de boa noite. Um amor que traz à tona partes de nós de que já não nos lembrávamos. Um amor daqueles que está conosco na melhor risada e na pior doença. Um amor daqueles que, quando gosta mesmo, é capaz de fazer aquilo que antes gozava e chamava piroso.
Gostava de poder olhar para o céu e dizer "Avô, este é o meu amor". Gostava de saber o que é ter um amor. Eu gostava, gostava mesmo de ter um amor.

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