É difícil aceitar um fim. Mas parece-me ainda mais difícil aceitar o final de algo que, a bem dizer, nem chegou a começar. Nunca existiu um "nós", foi sempre um "tu" e um "eu. Já tentei mais do que uma vez seguir em frente, esquecer o que quer que seja que tenhamos tido. Nunca consegui. Talvez a força de vontade não fosse tanta quanta devia. Tudo o que sei é que bastava um pouco de conversa, "amolecer o terreno" e eu caía nas tuas mãos de novo. Mas à terceira é mesmo de vez. Já chega. Já passei demasiado tempo a tentar decifrar palavras que não tinham nenhum significado oculto, a criar teorias para explicar as tuas atitudes. Passei demasiadas noites sentada no escuro, a chorar sem que ninguém soubesse. Passei demasiado tempo a fazer-me de forte, a sorrir só para não me perguntarem o que se passava. Agora chega. Ando há mais de um ano nesta corda bamba, que só tu sabes como agitar ou fazer parar. Sabes sempre como me fazer voltar, e eu volto uma, duas vezes. Chega de tentar. Chega de lutar sozinha uma batalha que só pode ser ganha a dois. Houve momentos em que realmente tive esperança de que fosse diferente, que algo em ti tivesse mudado. No entanto, continuavas o mesmo, com as mesmas atitudes. E eu também, continuava a cair nas mesmas conversas, voltava a ir atrás de uma coisa que sempre soube que não conseguiria alcançar. Dá jeito ter uma "reserva" para quando se sente falta. Mas eu não sou o "plano b" de ninguém, não sou reserva nem consolação. Quando eu digo que não encontro ninguém que goste de mim de verdade, há quem me diga que sou eu quem não consegue ver. Talvez seja isso. Passei todo este tempo cega, sem interesse por mais ninguém porque não conseguia esquecer-me de ti. Podia estar mesmo debaixo do meu nariz que eu não iria reparar. Desta vez tem mesmo de ser, não há volta a dar. Dei demasiadas hipóteses a algo que nem merecia uma primeira... "O amor é feito de dois", de nada me adianta lutar por ele sozinha. Talvez um dia eu consiga compreender as tuas atitudes ou fique claro na minha mente que não passas de alguém que gosta de saber quem tem sempre alguém certo que pode chamar quando se sente sozinho. Eu já não sirvo para esse papel. Não consigo fingir que me chega estar contigo quando a vontade bate, porque não é assim. Amar não é isso. Mas é compreensível, porque eu amo mas tu não. Tu gostas, há aquela tensão. Mas isso não chega para mim, nunca chegou e sou demasiado nova para me acomodar com algo que depois de me fazer viver um bom dia, me deixa magoada durante semanas. Não vou ganhar a batalha, muito menos a guerra. Continuar assim é a mesma coisa que me colocar em frente a alguém armado e lhe dar munições: não posso esperar sair intacta. Sei que não vale a pena continuar. Ah, há meses que o sei... Pode parecer masoquista, como é que me sujeito a algo que sei à partida que me vai magoar. Não meto uma mão no fogo! Não me atiro de uma varanda! Não como algo que me vá pôr mal disposta! Então para quê insistir? É totalmente irracional... Está na hora de ganhar forças para mudar, para não voltar a cair. Está na hora de bater no tapete e desistir da luta, já me lesionei demasiado. Por enquanto vou curando as feridas. Dizem que o tempo cura tudo, mas eu não concordo. Se não fizermos nada para curar as nossas feridas, não é ficar a ver os dias passar que nos vai valer. Quando voltares a tocar a campainha, eu não vou estar no meu canto. Não me vais ver perder por ti de novo. Não vais saber de mim. Nessa altura, já vou estar a milhas de distância desses velhos combates, à procura de algo que não magoe tanto.
21/08/2012 - 3.30h