02 setembro 2011


               
 O mundo confunde-me. A vida, em geral, confunde-me. Desde pequenos ensinam-nos que devemos ser verdadeiros, ajudar os outros, e por aí em diante; resumidamente, ensinam-nos que devemos ser bonzinhos. Mas quando crescemos é fácil apercebermo-nos de uma das maiores lições que podemos aprender: os bonzinhos não sobem na vida. Por “não sobem na vida” refiro a todos os aspectos: nos estudos, no trabalho, nas amizades, no amor, na vida em sociedade. Há sempre alguém a aproveitar-se do que quer ajudar, há sempre alguém que engana quem abre o coração para o amar, há sempre quem jogue sujo para poder chegar a algum lado, há tantas situações que nos fazem acreditar que ser “mau” compensa.
                Resultado desta experiência? Com o tempo vamo-nos fechando em nós próprios, escondendo o “bom” e colocando a máscara do “mau” como objecto protector do que realmente somos. Porque parece ser muito mais fácil ser mau… É bom ouvir alguém dizer “não mudes, estás tão bem assim”, “é tão raro encontrar alguém como tu”, claro que é! Mas de que é que nos serve sermos tão únicos, tão especiais, tão puros e verdadeiros quando as pessoas não nos sabem dar valor? Quando as pessoas apenas se aproveitam daquilo que somos e queremos fazer e ser?
                Ninguém é totalmente mau, nem ninguém é totalmente bom. Até porque seria impossível tal acontecer. Todos os “monstros” têm alguma parte de humanidade, todos os “anjos” têm uma ponta de maldade. Acho que um dos desafios mais difíceis que encaramos durante a vida, enquanto seres humanos, é encontrar o equilíbrio saudável entre os dois lados.
                Eu ainda não faço ideia de qual será esse equilíbrio, ainda não sei aplicar cada lado nas situações certas. Mas sei que algum dia hei-de aprender. Vou tendo a máscara da indiferença e do desprezo na mesa de cabeceira, para quando for necessário. Mas a minha máscara ainda não colou, nem essa nem nenhuma das que por vezes envergo para esconder o que realmente sinto. Como é que o sei? Quando passo um dia inteiro a sorrir em frente às pessoas e chego a casa e, à noite, no escuro do meu quarto, choro todas as lágrimas que contive durante o dia e escondi nesses sorrisos e gargalhadas. Sei que não sou indiferente porque sinto sempre alguma coisa, em relação a tudo. E sei que pertenço ao clube dos “bons” porque, apesar de toda a porcaria que me podem fazer, eu penso sempre em dar uma segunda oportunidade. A (quase) todos. 

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